Do salário líquido ao montante financiável
O banco empresta-te com base no que consegues pagar sem te asfixiares, não no que queres comprar. A regra oficial do HCSF fixa a taxa de esforço máxima em 35 % do rendimento líquido, com seguro incluído. Com 3 500 euros líquidos por mês e nenhum crédito em curso, a tua prestação total fica limitada a cerca de 1 225 euros.
Essa prestação tem de cobrir tudo: o futuro crédito de arrendamento, o teu crédito automóvel, o teu empréstimo estudantil, mesmo um crédito ao consumo. Se já pagas 300 euros por mês, sobram 925 euros para o projeto de arrendamento. O banco verifica também o teu remanescente para viver: 800 a 1 200 euros mínimo para uma pessoa só, 1 800 euros para um casal, mais 400 euros por filho.
Depois transformas essa prestação em capital financiável. A uma taxa média de 3,8 % a 25 anos, 925 euros por mês dão-te cerca de 192 000 euros de capital financiável. A 20 anos, a mesma prestação financia apenas 155 000 euros. O prazo aumenta o envelope, mas também agrava o custo total do crédito.
Prestação mensal máxima
M = prestação máxima, R = rendimento líquido mensal, L = renda prevista, C = prestações de créditos em curso.
O que os bancos fazem realmente com as tuas rendas futuras
Os bancos não contam as rendas futuras a 100 %. Aplicam um corte por defeito de 30 %, ou seja, um cômputo a 70 %. Se prevês 600 euros de renda mensal, o banco apenas retém 600 \times 0{,}7 = 420 euros no cálculo dos teus rendimentos.
Esse corte cobre a vacância, os encargos não recuperáveis e os impostos. Protege o banco contra o otimismo do dossier de empréstimo. Consequência direta: um imóvel arrendado nunca se autofinancia integralmente aos olhos do banco, mesmo quando se autofinancia na realidade.
Para um investidor que já detém um ou dois imóveis, a regra aplica-se ao acumulado. O banco continua a contar as tuas prestações existentes como dívida, mas só credita 70 % das rendas. É isso que trava a constituição de carteiras com vários imóveis: cada novo crédito aperta um pouco mais a engrenagem.
Os bancos retêm em média 70 % das rendas previstas no cálculo dos teus rendimentos. Sobre uma renda de 700 euros por mês, só 490 euros são contabilizados. Esse corte cobre vacância, encargos e impostos. Impede que um imóvel arrendado se autofinancie totalmente aos olhos do banco, mesmo quando se autofinancia na realidade.
Mesmo orçamento, três cidades: o que podes comprar
Com 250 000 euros de capacidade total (entrada mais empréstimo) custos notariais incluídos, o que podes comprar muda radicalmente conforme a cidade. Em Paris ou no centro de Lyon, sai um estúdio de 18 a 22 m² que arrenda por 550 a 650 euros por mês. A rendibilidade bruta gira à volta dos 3 % e o cash-flow mantém-se duradouramente negativo após crédito, encargos e impostos.
Numa cidade média dinâmica como Tours, Reims, Le Mans ou Angers, o mesmo orçamento compra um T1 ou T2 de 45 a 55 m², que arrenda por 650 a 800 euros por mês. A rendibilidade bruta sobe para 5 ou 6 %. Com um crédito padrão, apontas a um cash-flow neutro, por vezes ligeiramente positivo se a entrada for suficiente.
Numa cidade pequena ou na periferia (Saint-Étienne, Limoges, arredores de Reims), 250 000 euros pagam um T2 de 70 m² ou até uma pequena casa de rendimento. As rendas totais podem ultrapassar 900 euros por mês. A rendibilidade bruta sobe para 7 % e o cash-flow torna-se positivo logo no primeiro mês. Em troca: maior risco de vacância e valorização do preço mais lenta.
| Tipo de mercado | Superfície acessível | Renda bruta por mês | Cash-flow provável |
|---|---|---|---|
| Metrópole tensa (Paris, Lyon, Bordéus) | Estúdio 18-22 m² | 550-650 € | Muito negativo |
| Cidade média dinâmica (Tours, Reims, Le Mans) | T1 ou pequeno T2 45-55 m² | 650-800 € | Quase neutro |
| Cidade pequena ou periferia (Saint-Étienne, Limoges) | T2 ou casa 70-90 m² | 750-900 € | Positivo |
Investir perto de casa: as verdadeiras vantagens
Investir na tua própria cidade significa manter a gestão na tua mão. Visitas o imóvel quantas vezes quiseres antes de comprar. Escolhes o teu inquilino cara a cara. Intervieres em 30 minutos em caso de fuga, em vez de pagares um técnico de urgência a 200 km.
Conheces também o mercado local melhor do que qualquer investidor externo. Sabes que bairros estão a valorizar, quais têm má fama injustificada, e por quanto se arrenda mesmo um T1, não o preço anunciado nos portais. Esse conhecimento vale frequentemente vários pontos de rendibilidade.
O limite é se a tua cidade for cara demais para o teu orçamento. Se vives em Bordéus ou em Annecy, a rendibilidade local fica limitada a 3 % e a alavancagem bancária deixa de funcionar. Pagas a localização em vez da rendibilidade. Nesse caso, o apego à proximidade custa-te mecanicamente vários milhares de euros por ano.
Investir longe: em que condições compensa
Primeira condição: uma rendibilidade líquida suficientemente alta para absorver a gestão delegada. Uma agência imobiliária cobra 7 a 10 % das rendas com IVA, mais um mês de despesas de colocação. Sobre uma renda de 700 euros, são cerca de 700 a 850 euros de custo de gestão por ano. Se o teu imóvel rende 6 % líquidos em local, terá de render pelo menos 7 % para se manter igualmente performante à distância.
Segunda condição: um mercado verdadeiramente tenso. A procura de arrendamento tem de estar documentada, não suposta. Verifica a tensão Locservice, o prazo médio de relocação dos anúncios SeLoger, e a taxa de vacância INSEE do município. Uma cidade com 5 % de vacância e um mês de prazo médio é saudável. Acima dos 8 % de vacância, expões o teu cash-flow a buracos de vários meses.
Terceira condição: um referente local de confiança. Ou um familiar capaz de passar pelo imóvel a cada seis meses, ou uma agência de gestão séria, ou uma concierge para o arrendamento de curta duração. Sem ponto de apoio físico, assinas às cegas para 20 anos, e a primeira grande avaria custa três vezes o que devia.
8-10 %
Custo da gestão delegada (% das rendas)
+1 pt
Diferencial de rendibilidade necessário para compensar a distância
30 min
Tempo de intervenção em local
Decidir em cinco perguntas, sem cair na armadilha
Cinco perguntas a fazer antes de fixares a tua zona de investimento. Quanto me empresta realmente o banco tendo em conta os meus rendimentos e os meus créditos em curso? Com esse orçamento, a minha própria cidade oferece um imóvel acima dos 5 % de rendibilidade líquida? Estou disposto a delegar a gestão a 8 % das rendas se me afastar? Tenho um referente fiável no terreno para imprevistos? O meu horizonte de detenção é suficientemente longo, no mínimo 8 anos, para absorver uma quebra de mercado?
O erro clássico é decidir com base num único critério: quero investir perto de casa sem verificar a rendibilidade, ou quero rendibilidade sem ter em conta o custo da distância. As duas decisões em separado conduzem a cash-flows negativos ou a imóveis ingeríveis. A boa escolha constrói-se na interseção das duas restrições: o que o banco autoriza e o que o mercado recompensa.
Buy&Rent permite simular as duas perguntas em conjunto. Introduzes o teu salário e os teus créditos em curso para estimar a tua capacidade de financiamento, depois comparas vários imóveis em várias cidades com a sua rendibilidade líquida, o seu cash-flow e a sua pontuação de investimento. Em poucos minutos vês se a cidade a 30 minutos de casa supera a metrópole tensa onde sonhavas comprar.
Conclusão principal
A capacidade de financiamento fixa o teu tecto, o mercado local fixa o teu piso de rendibilidade. Não decidas um sem o outro. Se a tua cidade é cara demais para o teu orçamento, aceita a delegação e o sobre-rendimento que ela exige. Se queres a proximidade, ajusta as tuas expectativas ao mercado local.